Marcio Mariguela

Psicanálise & Filosofia

IGREJAS DE PARIS – Basílica de Saint Denis

As dezenas de igrejas espalhadas pela cidade de Paris demonstram a história da monarquia católica. Como um dos reinos cristão mais importante da Europa, Paris concentra verdadeiros tesouros arquitetônicos desde o gótico medievo, passando pelo renascentismo e barroco clássico até o romantismo do 2º império. Visitar as igrejas é adentrar num território em que o sagrado é o fundamento da política. A história de Paris pode ser narrada por suas igrejas que abrigam sepulturas de reis, rainhas, príncipes e princesas. Abrigam também os restos mortais de escritores, pensadores, artistas que muito colaboraram para ornamentar o ambiente devocional.

Basílica de Saint Denis

O estilo gótico lançou seus marcos fundadores no período medieval e sob a espada de Clóvis derrotou os romanos no final do século V,  instaurando o cristianismo como religião oficial do reino franco. Nas cercanias de um cemitério galo-romano ao norte de Paris foi edificado a primeira igreja sobre o túmulo de St. Denis, o primeiro bispo dos franceses, decapitado pelos romanos no ano 250. A tradição atribui a Santa Genoveva a construção do primeiro santuário em torno de 450.

exemplar gótico de grande esplendor

A atual Basílica de Saint Denis foi edificada a partir deste santuário que rapidamente tornou-se um centro de peregrinação. Ao seu redor foi edificado um monastério beneditino e desde o século VII passou por varias transformações com o impulso inicial do rei Dagoberto que tornou-se o benfeitor e elegeu St. Denis como patrono e protetor dos monarcas. A história da Basílica se funde com a historia da monarquia cristã, abrigando túmulos de praticamente todos os regentes até Luis XVI e Maria Antonieta.

interior da Basílica com rosácea ao fundo

Sob a regência do abade Suger (1122-1151), conselheiro real, a Basílica adquiriu novas técnicas arquitetônicas, rosáceas e abóboda sobre cruzeiro de ogivas. Um esplendor de luz inundou o espaço que consagrou reis e rainhas. Ao mesmo tempo, neste espetáculo luminoso, os restos mortais da monarquia descansam em paz. A abside do abade Suger foi projetada para ostentar as relíquias dos mártires. A ausência de muro concreto entre as capelas centrais e a abside (capela em formato semicircular atras do altar-mor ou nave central) criam um muro de luz contínuo. Dos vitrais do abside somente cinco foram poupados da destruição pelos revolucionários franceses do final do século XVIII. Nesta capela luminosa estão as efígies da monarquia merovíngia – o rei Clóvis e seus filhos  são a gênese do cristianismo na França.

abside do abade Suger

A Basílica abriga atualmente mais de 70 efígies e túmulos, sendo considerada  uma coleção única na Europa. No passeio pela Basílica podemos apreciar os avatares da arte funerária, das efígies do século XII esculpidas  com os  olhos abertos; também  as grandes composições do Renascimento que associavam a morte à esperança da ressurreição. Foi exatamente neste significante que a sensação do expectador repousou: pareceu-me que toda aquela monarquia ali sepultada sob o manto infinito da luz, estão a espera da ressurreição.

túmulo de Henrique II e Catarina de Médicis

Dentre os monumentos funerários, destaque para o túmulo do rei Dagobert I, grande representante da dinastia Merovíngia; e para o templo funerário de Henrique II e Catarina de Médici, representantes da dinastia dos Valois. O tumulo do rei foi edificado em meados do século XIII a pedido dos monges beneditinos que o consideravam seu fundador. Esta situada no lugar onde o soberano foi inumado em 639. Seu corpo foi esculpido com a cabeça virada à direita, como se estivesse a olhar eternamente para as relíquias de St. Denis. As esculturas que adornam o túmulo, ilustram a lenda do eremita João que sonhou com a alma de Dagobert sendo arrancada dos demônios, graças a intervenção dos santos Denis, Maurice e Martin.

símbolo da realeza sepulta

O túmulo templo de Henrique II surgiu da vontade expressa de Catarina de Medici para a memória de seu esposo e em honra os Valois. Foi desenhado por Primticio e esculpido por Germain Pilon entre 1560-1573,  utilizando uma combinação equilibrada entre o mármore e o bronze, este monumento é um exemplar da presença da arte italiana em solo francês. Os anjos, representantes de cada uma das virtudes, adornam este mausoléu de mármores multicoloridos que se intensificam com a luz da rosácea lateral do transepto norte.

rosácea central

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