Marcio Mariguela

Psicanálise & Filosofia

AS VIAGENS DE FREUD

As cidades de Freud: itinerários, emblemas e horizontes de um viajante
Autor: Giancarlo Ricci
Jorge Zahar Editor, 2005

Sinopse:
Seguir Freud em suas freqüentes viagens, recolhendo uma vasta documentação extraída de suas cartas e obras. Essa é a proposta inicial do livro, sua saborosa camada externa. Percorremos, através do olhar e do filtro das preocupações profissionais e pessoais de Freud, mais de 40 cidades. Sua curiosidade pelo homem e pela cultura e sua atenta observação de paisagens exteriores e interiores da humanidade fazem dele um agudo intérprete de nosso tempo. Com base nos escritos do mestre de Viena, Giancarlo Ricci levantou os pontos mais emblemáticos do itinerário freudiano – da Freiberg natal a Londres, a cidade do exílio e do fim. Ao seguir seus passos, o autor evidencia como Freud testemunhou e sobretudo forjou a modernidade, deixando para trás o século XIX e interrogando o mal-estar de nossa época.

Comentários:
Durante dias, nos intervalos de minhas atividades cotidianas, viagei na cartografia desenhada pelo psicanalista italiano Giancarlo Ricci, seguindo o itinerário de Freud em suas viagens desde os tempos de colegial até o final de sua vida. Com vasta pesquisa nas correspondências de Freud, o autor reconstruiu passo a passo as cidades que Freud visitou e o registrou que o mesmo fez. São ao todo quarenta cidades listas em ordem cronológica que servem como pretexto para uma análise minuciosa e de grande literalidade cruzando as impressões de Freud com o trabalho progressivo de suas pesquisas e formação cultural. No prefácio, escrito por Carlo Sini, da Universidade Federal de Milão, se encontra uma chave para a leitura desse livro singular pela temática e pelo caráter documental – o modo como interroga o oficio, a arte inventada por Freud: "no livro encontramos testemunhos freudianos dos quais emerge a sua recusa de uma profissionalização e sobretudo de uma medicalização da psicanálise, que seriam o equivalente à sua normalização liquidatória. A psicanálise é a arte da palavra. Sua arte é sob certos aspectos arqueológica: justo em Roma, Freud olha para a cidade, surpreendentemente, com um olhar que hoje diríamos wittgensteiniano, isto é, como uma estratificação de épocas, de práticas, de sentidos, de tópicas. Também o analista deve traçar mapas de territórios sepultos, desconhecidos e esquecidos, buscando indícios na superfície. Para tanto, precisa aprender a compreender a lingua do inconsciente e seus dialetos, ou melhor, seus hieroglifos e suas escrituras indissincráticas, movendo-se e tropeçando como Édipo entre enigmas e signos do destino (…) Freud entendeu muito bem: a prática psicanalítica tem muito em comum com o exercício da poesia".

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