Marcio Mariguela

Psicanálise & Filosofia

Convite para Sessão 3C – Cinema, Conceito e Crítica

Convite Cartaz

Atendendo o convite dos discentes do Curso de Filosofia da Unimep para comentar o filme “Persona” de Igmar Bergman lembro do encontro que tive com o cinesta sueco: assisti em 1986,  num teatro em Campinas, o filme “Fanny e Alexander”.  Fiquei encantado com o olhar dirigido ao mundo através dos olhos de duas crianças.  Na época ministrava aulas de psicologia da educação  no curso de magistério do Colégio Ave-Maria. Convenci o diretor do teatro a realizar uma sessão especial para que eu pudesse levar as alunas. O passo seguinte foi convencer a Irmã Diretora – ela sempre me apoiava nas mais singulares e inusitadas experiências de ensino, como por exemplo, exibir o filme Hair na biblioteca debaixo da Igreja com duas freiras presentes.

Lá fomos nós numa tarde ensolarada caminhando do Colégio ao teatro na Vila Industrial. Após o filme fizemos uma saudosa conversa sobre educação infantil. A classe começou um trabalho de ouvir as crianças em estágio com crianças pré-escolares através de atividades de desenho. O que as crianças dizem quando desenham a família? O filme permitiu uma experiência pedagógica do lugar da psicologia na educação infantil.

meu pré-ferido

Os filmes de Bergman foram decisivos em minha formação estética.  O delineamento dramático que compõem a história de seus peronagens é de uma sutileza apaixonante. Georges Politzer disse em 1928 que há mais psicologia na literatura do que em todos os tratados de psicologia científica existentes. Eu digo: há mais psicologia nos filmes de Bergman do que em todos os tratados das neurociências.

Persona é uma palavra latina que designa a pessoa. Toda pessoa é personagem de um drama. Identidade identifica: eu sou eu! Mas com que se identifica o eu? consigo mesmo? com os outros, com o Outro? Com sua imagem projetada no espelho? Se [ Eu ] é um Outro como formulou Arthur Rimbaud, quantos outros cabem num eu?

Se eu fosse eu…  como disse Clarice   http://www.youtube.com/watch?v=re4-BJ7JccI&feature=related

Quantos personagens cada eu representa? O bobo e o esperto, por exemplo. Cada um representa um drama! Lispector tomou partido pela felicidade do bobo. Fez até um canto das vantagens de ser bobo…  http://www.youtube.com/watch?v=8lSoxrWsnZw&feature=related

Os atores nas tragédias usavam máscara para compor seu personagem. A relação rosto-máscara atravessa as identidades. Há um mais além das identificações quando a pessoa-persona se reconhece no ato de invenção de si. Não no si propriamente, mas no ato, em ato: de ato em ato, um drama é tecido – uma existência é inventada. Uma história pode ser contada!

vejam e ouçam na voz da Aracy, o conto-canto de Clarice Lispector em louvor a genialidade de Bergmam 

 http://www.youtube.com/watch?v=1CahrUIWsM8

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