Marcio Mariguela

Psicanálise & Filosofia

Arquivo para junho, 2010

Grupo de Estudos: Leituras de Freud

Jacques Lacan, psicanalista francês, iniciou na década de 1950 um movimento retorno a Freud, defendendo a ética da psicanálise contra os apologistas da moral do ressentimento. Lacan tornou-se assim um dos autores mais inventivos na história da psicanálise. Amado e odiado com igual intensidade, seus “Escritos” e “Seminários” marcaram decisivamente a cultura contemporânea. Fundador de Escola soube incorporar em sua prática clínica toda a tradição filosófica do Ocidente, restaurando a lâmina cortante da verdade freudiana. Interrogando os psicanalistas de seu tempo, os convocou a responderem sobre o lugar que ocupam no tratamento do sofrimento psíquico e na extensão política de seu discurso e prática clínica.

Lacan com Freud

O retorno a Freud implicou a re-inscrição de um discurso num domínio novo, pois como afirmou Michel Foucault na conferência “O que é um autor?” de 1969: “retorna-se ao que está marcado pelo vazio, pela ausência, pela lacuna no texto. Retorna-se a um certo vazio que o esquecimento evitou ou mascarou, que recobriu com uma falsa ou má plenitude e o retorno deve redescobrir essa lacuna e essa falta” . Daí esse perpétuo jogo que caracteriza esses retornos à instauração discursiva: “jogo que consiste em dizer por um lado: isso aí estava, bastaria ler, tudo se encontra aí; e, inversamente: não, não esta nesta palavra aqui, nem naquela ali, nenhuma das palavras visíveis e legíveis diz do que se trata agora”.

Presente na conferência de Foucault, Jacques Lacan tomou a palavra ao final para expressar sua gratidão afirmando: “o retorno a Freud foi uma espécie de bandeira que levei em punho na conquista do campo freudiano; nesse aspecto, só posso agradecer-lhe: você correspondeu inteiramente à minha expectativa. A propósito de Freud, evocando especialmente o que significa o retorno a, tudo o que você disse me parece, pelo menos do ponto de vista em que eu pude nele contribuir, perfeitamente pertinente”.

O movimento de retorno a Freud foi instaurado pela retomada de três livros fundadores: “A Interpretação dos Sonhos”, “Sobre a Psicopatologia do Cotidiano” e “O chiste e suas relações com o inconsciente”. Nelas Lacan encontrou as indicações precisas para cartografar o campo psicanalítico. A proposta do Grupo de Estudos, nomeado no plural, “Leituras de Freud” tem como objetivo seguir os trilhamentos do movimento de retorno a Freud resgatando um trabalho de leitura dos livros escolhidos por Lacan. Vamos iniciar com “Sobre a Psicopatologia do Cotidiano”, publicado em 1901.

Jacques Lacan

O Grupo de Estudos está inserido no projeto Psicanálise em Extensão e terá início no mês de agosto de 2010 com encontros quinzenais sempre na 2ªfeira das 19h30m as 21h30m. Os encontros ocorrerão na Clínica de Psicanálise situada na Rua Prudente de Moraes, 1314 – Bairro Alto – Piracicaba-SP. Os interessados deverão enviar email para mmariguela@gmail.com e agendar uma entrevista. Há 15 vagas disponíveis.

Convite para assistir e dialogar com o documentário “Estamira”

O projeto Psicanálise em Extensão, com objetivo de estabelecer interlocução com cuidadores do campo da saúde mental, ONGs e discentes dos cursos de filosofia, psicologia, história, letras e pedagogia prossegue e convida para a sessão de cinema exibindo o documentário “Estamira”, em seguida um diálogo com  Disete Devera  (psicóloga e psicanalista,  mestre em Subjetividade e Saúde Coletiva pela Unesp e supervisora clinico-institucional de Serviços de Atenção em Saúde Mental)
 
Tema: Loucura ou resistência? Arte de inventar sentidos!
Dia: 19/06 – sábado – 15h
Local: Clínica de Psicanálise – Rua Prudente de Moraes, 1314 – Bairro Alto – Piracicaba
inscrições por email: mmariguela@gmail.com
vagas limitadas: 25
 

a minha missão, além d'eu ser Estamira, é revelar a verdade

Sinópse:  após 6 anos fotografando o cotidiano do Aterro Sanitário Jardim Gramacho, o
fotografo Marcos Prado encontrou Estamira contemplando aquela dura paisagem.
Pediu para tirar um retrato e ela concordou com uma condição: que ele
sentasse ao seu lado para conversar. Ela lhe contou que morava num castelo,
todo enfeitado com coisas encontradas no lixo e que tinha uma missão na
vida: relevar e cobrar a verdade. Certo dia ela lhe perguntou qual era sua
missão. Antes que Padro pudesse responder, ela disse: “Sua missão é revelar
a minha missão. Assim, ele decidiu fazer um filme-documentário sobre uma vida.
 
Estamira é a historia de uma mulher de 63 anos que sofre de distúrbios e que
durante 20 anos viveu e trabalhou no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho.
Convivendo com um pequeno grupo de catadores idosos num local renegado pela
sociedade, que recebe diariamente mais de oito mil toneladas de lixo
produzido no Rio de Janeiro. Levantando questões de interesse global, como o
destino do lixo produzido pelos habitantes de uma metrópole e os
subterfúgios que a mente humana encontra para superar uma realidade
insuportável de ser vivida. Vivendo em função de sua missão: “revelar e
cobrar a verdade dos homens”. Do lixo da civilização, ela supera sua
condição miserável e coloca em questão valores fundamentais, muitas vezes
esquecidos pela sociedade.

O filme-documentário foi vencedor de 33 prêmios nacionais e internacionais; sucesso
de critica e documentário de maior publico nos cinemas brasileiros em 2006.
 
visite o site oficial: www.estamira.com.br 

bons comentários podem ser lidos em: http://www.cinemaemcena.com.br/estamira/blog.asp