Marcio Mariguela

Psicanálise & Filosofia

Arquivo para setembro, 2010

CONVITE PARA O DIÁLOGO CINEMÁTICO

Filme: MADAME BOVARY – Direção: Claude Chabrol, 1991 (Versátil)

Dia: 25 de Setembro de 2010 – 15h –

Entrada Franca – Vagas Limitadas (30)

Mediador: Ivan Gomes Tavares (filósofo e professor)

Local: Rua Prudente de Moraes, 1314 – Bairro Alto – Piracicaba – SP

Inscrição por email: mmariguela@gmail.com

capa do dvd

“A histeria é a salvação das mulheres” –  (Dostoievski – Os Irmãos Karamázovi)

“A histeria foi a maneira efetiva pela qual as pessoas se defendiam da demência; a única maneira de não ser demente, num hospital do século XIX, era ser histérico, isto é, era opor ao impulso que aniquilava, apagava os sintomas, a constituição, a ereção visível, plástica, de toda uma panóplia de sintomas e resistir à assinalização da loucura como uma realidade pela simulação. O histérico tem sintomas magníficos, mas, ao mesmo tempo, esquiva a realidade da sua doença; ele se coloca contra a corrente do jogo asilar e, nessa medida, saudemos os histéricos como os verdadeiros militantes da antipsiquiatria”

(Michel Foucault – O poder psiquiátrico)

A histeria é um conjunto de sintomas que são representados na clássica personagem Madame Bovary do escritor Gustave Flaubert. A interpretação cinematográfica da personagem foi belamente construída por Claude Chabrol – morto recentemente. Ao escolher a exuberante e refinada atriz Isabelle Huppert para encarnar Madame Bovary, o diretor francês revelou-se como um verdadeiro Balzac nas telas.

Isabelle Huppert

O enlaçamento da histeria com a loucura pode ser remetido ao clássico Elogio da Loucura de Erasmo de Rotterdam, no século XVI. Para o filósofo holandês, a vida é doce e preciosa. Mas o que seria a vida sem a loucura, isto é, sem amor, sem irreflexão, sem esquecimento, sem volúpia, sem embriaguês, sem riso, sem diversão, sem alegria? Sem loucura, sabedoria alguma tem valia. E se isto se refere aos homens, ainda mais se refere às mulheres, porque as mulheres são sempre loucas, seja qual for a máscara sob a qual se apresentam, consistindo justamente isso sua força e seu poder.

Madame Bovary ilustra bem a tragédia da mulher nos tempos modernos, quiça entrevista por Erasmo: educada e inteligente, amante da beleza, da liberdade e do amor – o que buscou sem descanso até o fim – experimentou a solidão, o tédio, a angústia, a inconstância e por fim a morte. E é nisto que está a sua grandeza e o que nos deixa a todos admirados.

Indicações de leituras:

FLAUBERT, Gustave Madame Bovary. Tradução de Araujo Nabuco. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

ERASMO DE ROTTERDAM Elogio da Loucura. Tradução Paulo M. Oliveira. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 4ªedição, 1998.

FOUCAULT. Michel O poder psiquiátrico. Curso no Collége de France (1973-1974). Tradução Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

KEHL, Maria Rita “A mulher freudiana na passagem para a modernidade: Madame Bovary”, In: Deslocamento do Feminino. Rio de Janeiro: Imago, 1998

Assista ao trailler:

Noticia da morte de Chabrolhttp://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,cinema-perde-mestre-da-nouvelle-vague-claude-chabrol,609073,0.htm

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