Marcio Mariguela

Psicanálise & Filosofia

Arquivo para junho, 2011

«Para quem você escreve?»

Em março de 1932, foi fundada em Paris a Associação dos Escritores e Artistas Revolucionários (A.E.A.R.). Como membro do Partido Comunista Francês (PCF), Georges Politzer escreveu um relatório da assembléia da Associação na qual foi debatido a pergunta remetida pelo Comitê: «Para quem você escreve?» 

Georges Politzer num café em Paris

O relato de Polizter é um documento precioso para cartografar o problema do engajamento artístico e intelectual nas lutas pela revolução socialista (in: A Filosofia e os Mitos, editora Civilização Brasileira, 1978). De que lado estão os escritores e  os artistas? Defendem a causa do proletáriado ou estão servindo aos interesses da burguesia? Parece démodé utilizar a categoria de classe para analisar as relações sociais contemporâneas. Contra esta tendência decadente, é sempre uma lufada de luz resgatar algumas pérolas do bau da história. O relatório de Politzer é uma delas.

A pergunta lançada por Commune, como bem observou o jovem húngaro, subentende as classes como condição fundamental do capitalismo e a luta de classes como agente de transformação social. Por isso, prosseguiu, “sua colocação é um ataque, não contra o escritor a quem é feita, mas contra a burguesia, que não deseja que essa pergunta seja colocada”. Para quem você escreve?

Constatou Politzer: “Há, na A.E.A.R, um certo número dos nossos que estão convencidos da justeza do marxismo e que desejam ser marxistas consequentes”. De igual modo, admitiu que também havia discordância dos membros da A.E.A.R. contra aqueles que faziam, de suas diferenças com o marxismo, “máquinas de guerra contra o marxismo; os que alimentam campanhas antimarxistas, os que ajudam a burguesia a empreender sua cruzada contra o marxismo”. Esses, concluiu, “não são dos nossos; pertencem à burguesia e não tem nada a fazer na A.E.A.R.”

A pré-condição para ingressar na A.E.A.R. era reconhecer a distinção de classe, saber operar a separação e tomar consciência de que lado estava: “os intelectuais honestos, de um lado; e os lacaios da burguesia, do outro lado”. Era preciso declarar-se um “intelectual honesto”, isto é, comprometido com a causa revolucionária. A ferramenta (o martelo) para tal revolução foi construída por Marx e Lênin.

 Considerando o marxismo-leninismo uma ciência, Politzer relatou um processo de inquisição no qual a camarada Edith Thomas estava sendo julgada por não sustentar “o ponto de vista marxista”. Durante o debate, a camarada fez a seguinte intervenção: “escrevo para liquidar meus conflitos psiquicos e não sociais”. Esta posição provocou a ira no sangue húngaro de Politzer.

3x4 de Politzer

Com o mesmo ardor revelado em 1928 no ensaio Crítica dos Fundamentos da Psicologia: a psicologia e a psicanálise (Editora Unimep, 1998 ) para demontrar o carater subversivo da psicanálise de Freud, Politzer acusou a camarada Edith de se render à psicanálise, o último refúgio da burguesia: “ela não deseja que Marx e Engels sirvam de «martelo» – foi assim que ela se exprimiu – mas, no mesmo instante, declarou que escrevia para liquidar os seus conflitos, o que é uma teoria freudiana. E, dessa forma, no instante preciso em que nossa camarada pensava fazer um ato de independência, separando-se dos pensadores proletários que são Marx e Lênin, foi apenas para submeter-se – sem nenhuma intenção, estou certo – ao pensador burguês que é Freud”.

Politzer defendia o seguinte pressuposto: “o fato de escrever constitui um ato que tem, na sociedade, repercussões determinadas. Existe esse fato e existe a consciência dele tomada pelo escritor. Eis aí duas coisas diferentes”. Escrever é um ato social, a consciência desse ato determina o engajamento do escritor. Todos os que escrevem em uma sociedade onde existem classes e, por conseqüencia, para aquele que escreve em uma sociedade capitalista, deverá ter consciência para quem escrevem. “Faça o que fizer, ele não poderá impedir que seu texto tenha uma ação social, e uma ação social que consiste em fortalecer uma e enfraquecer outra das duas classes em luta”.

Concluindo seu relatório, Politzer considerou que a pergunta remetida pelo Partido Comunista aos escritores e artistas demandava uma resposta nos seguintes termos: “A questão é saber como, e na conta de quem, ele toma parte nela (na luta de classes), se ele representa o joguete inconsciente e mais ou menos aperfeiçoado de forças sociais que ignora, ou se representa um fator consciente. «Para quem você escreve?» significa antes de qualquer coisa: você sabe para quem você escreve? Significa em seguida: «as conseqüências sociais de seus textos correspondem às intenções que o animam ao escrever?». E, por esta razão, penso que devemos manter e repetir incansavelmente a pergunta «para quem você escreve?», e devemos inclusive responder no lugar daqueles que, por si próprios, não responderão”

na web:

» tradução em ingles do relatório: http://www.marxists.org/archive/politzer/works/1933/who-for.htm

» dados biográficos de Polizter: http://www.marxists.org/portugues/dicionario/verbetes/p/politzer_georges.htm

» vídeo em que o poeta surrealista George Aragon faz uma homenagem a Politzer: http://www.ina.fr/art-et-culture/litterature/video/I00005323/aragon-sur-politzer.fr.html

» site do Centro Internacional e Estudos da Filosofia Francesa Contemporânea: http://www.ciepfc.fr/spip.php?article192

» blog Batalha Socialista: http://bataillesocialiste.wordpress.com/documents-historiques/projet-dunification-pcsfio-1936/

 

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Pessoa no Google

quarto de Pessoa no campo de ourique em Lisboa

13 é um número milagroso para a cultura portuguesa. Em 13 de maio na Cova da Iria, as crianças pastoras viram e ouviram a imagem da Virgem de Fátima invocando a reza do rosário para nos proteger do comunismo ateu e materialista. No 13 de junho o padroeiro Santo Antonio é invocado para o feliz encontro, o casamento. Como numa reedição de Eros, o monge franciscano recebe preces e louvores.

Fernando António Nogueira Pessoa, nascido em Lisboa, freguesia dos Mártires, no prédio n.º 4 do Largo de S. Carlos em 13 de Junho de 1888. O mais expressivo nome da literatura portuguesa (ao lado de Camões), Fernando Pessoa inventou-se muitos para conter uma escrita fluída que cartografou a lingua materna numa miríade de possibilidades poéticas. O Ser e o Sentir enovelaram-se para sempre de modo oblíquo.  A extensão do bau de escrivinhador lisboeta pode ser medida pela homenagem prestada pelo Google no dia de hoje, em que se rememora sseu 123º aniversário:

http://www.google.com.br/#q=Fernando+Pessoa&ct=fernandopessoa11-hp&oi=ddle&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.&fp=1e33de1689560958&biw=1123&bih=468 

casa onde Fernando Pessoa passou seus últimos anos

http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/index.php?id=2233

 

Inaugurada em Novembro de 1993, a Casa Fernando Pessoa foi concebida pela Câmara Municipal de Lisboa como um centro cultural destinado a homenagear Fernando Pessoa e a sua memória na cidade onde viveu e no bairro onde passou os seus últimos quinze anos de vida, Campo de Ourique.

Convite – 12ª Sessão do Diálogo Cinemático

Projeto Psicanálise em Extensão CONVIDA para 12ª Sessão do Diálogo Cinemático

Gêmeas – Brasil, 2000 / Direção: Andrucha Waddington

18/junho/2011 – sábado – 15h

Mediadora: Rosana Pires da Silva – psicanalista, membro optante da Associação Campinense de Psicanálise.

Local: Rua Prudente de Moraes, 1314 – Bairro Alto – Piracicaba -SP

Vagas Limitadas (20) – Entrada Franca – inscrição: mmariguela@gmail.com

Fernanda Torres interpretando as Gêmeas

Sinopse:

O roteiro tem como referência a letra de Nelson Rodrigues, extraída de A Vida Como Ela É... O filme gira, como num carrossel, a imagem das gêmeas Iara e Marilena (magistral interpretação de Fernanda Torres). Idênticas, brincam com os homens passando-se uma pela outra, para o desespero do pai (Francisco Cuoco). Num dado momento, Marilena se apaixona por Osmar (Evandro Mesquita), Iara decide seduzi-lo sem que ninguém o saiba.

Numa captura contemporânea do feminino, o diretor assume a função de leitor. Na letra de Nelson Rodrigues, Osmar é o protagonista de um tema de adultério na década de 1950. O filme, ambientado na década de 1980, pro-voca o campo teórico e prático da psicanálise: a função da fantasia e do espelho na constituição da subjetividade. É na fantasia de Osmar, que se pretende “noivo das duas”, que a trama principal de desenvolve. Iara e Marilena marcadas ao nascer pelo dito familiar: “Não se esperava por duas… no berçário, que estava lotado…foram colocadas num só berço, espremidas”; e regidas pela Lei e-ditada pelo pai: “O que se faz por uma é o que se deixa de fazer por outra e não pode ser”. vivem num jogo de espelho (real e imaginário). Iara-Marilena e Osmar reviverem na fantasia edipiana  uma  tragédia anunciada pelos recursos do cinema (o noir e a música de suspense): sexo e morte, traição e transgressão…o que não se pode tocar.

A confusão entre idênticas, seduz o espectador para apreender a identidade pelas diferenças. Na necessidade de separação revela um outro jogo em cena: a ambivalência de sentimentos das jovens irmãs, que querem, mas não conseguem, pensar-se sem a outra. A loucura, a psicose, a passagem ao ato… temas atuais na cultura e na prática clínica.

Na web:

» trailer: http://www.youtube.com/watch?v=jFTtNmdtJd4

» noticias: http://www.meucinemabrasileiro.com.br/filmes/gemeas/gemeas.asp

Jardim Zoológico de Lisboa

vista aérea do teleférico
 Ao redor deste lago, com organização impecável, situa-se o Jardim Zoológico de Lisboa (Portugal) com uma das melhores coleções de animais de todo o mundo, reunindo nos seus 120 anos de existência, mais de 2000 animais de 360 espécies diferentes, divididos da seguinte forma: 114 Mamíferos;  157 Aves;  56  Répteis; 5 Anfíbios e Artrópodes. Nesta diversidade estonteante de formas e cores, o passeio deve começar pelo suave deslize dos carrinhos teleféricos sobre as copas de centenárias árvores. O expectador terá uma visão do conjunto do Jardim e poderá escolher seu caminhar voyerístico pelas formas mais primitivas de vida animal.

o Jardim com aeronave TAP

Ao contrário das focas, os leões-marinhos têm orelhas e deslocam-se com facilidade em terra, erguendo o corpo e impulsionando-o para a frente com o auxílio das barbatanas anteriores. São animais sociáveis e gregários. Esta espécie é a mais frequentemente encontrada em parques zoológicos, pois é normalmente mais dócil. Vocaliza mais frequentemente que as outras espécies de leões-marinhos.
Programa-se para não perder o show que acorre em duas sessões, uma de manhã outra a tarde. Se desejar um beijo desse bigodudo cheirando a sardinha, sente nas primeiras fileiras. Ele atravessa a platéia distribuindo seu charme e carinho. 
a saudação
O elefante-africano-de-savana é o maior animal terrestre. Incluindo tromba, mede cerca de 6 a 7,5 metros de comprimento  e pode atingir os 7500 kg. As grandes orelhas ajudam abanar para facilitar o arrefecimento corporal. O nariz forma a tromba, muito enrugada, que apresenta dois apêndices digitiformes na extremidade, usada para cheirar, manusear objectos, recolher alimentos e água e ainda para defesa, ataque ou demonstrações de afecto. As presas são os dentes incisivos superiores e crescem durante toda a vida. São usadas para combater, para escavar raízes e para arrancar a casca das árvores. 
São animais gregários, apresentando ligações muito fortes entre si e um comportamento cooperativo. O grupo é conduzido pela fêmea mais velha, a matriarca, que detém os conhecimentos sociais do grupo e das características do meio. Esta tem uma influência decisiva sobre o comportamento dos restantes elementos do grupo. Os machos vivem sozinhos ou em pequenos grupos temporários.

o maior mamífero terrestre

 
 Na categoria altura, a girafa é imbatível, podendo atingir  até 5,5 metros. Nas horas de maior calor preferem ruminar à sombra. Conseguem permanecer longos períodos sem beber,  e quando o fazem ficam extremamente vulneráveis aos ataques dos predadores. Formam pequenos grupos constituídos por um macho e respectivas fêmeas e jovens machos solteiros. Estes grupos podem reunir-se em grupos maiores e não são estáveis a longo prazo, pois há frequentes entradas e saídas de indivíduos. São animais pacíficos e não territoriais, mas existe uma hierarquia no interior dos grupos, que é mantida através de comportamentos intimidatórios.
Giraffa camelopardalis angolensis
O mais novo habitante do Zoo lisboeta é o filhote do Lémore nascido em maio, a primavera das espécies. Na escala evolutiva, os Lémores pertencem à ordem dos primatas. Sua condição de parente distante dos humanos é um atrativo espetacular para observar o tempo que dedicam ào cultivo da beleza de sua pelagem. São gregários e brincalhão. Impossível não lembrar do filme Madagascar: Eu me remexo muito…

o filhote do Lémure-de-cauda-anelada

 Finalizando este ensaio fotográfico, o colorido escandaloso do flamingo rubro, habitante nas ilhas das Caraíbas e nas ilhas Galápagos, nas margens de lagoas salinas, de rios e de estuários.  A plumagem tem tonalidade predominantemente carmim, com as rémiges pretas. O bico curva para baixo e é carmim, excepto na extremidade, que tem cor negra. O pescoço é muito longo e tem cor carmim, tal como as patas. A coloração carmim deve-se aos pigmentos presentes nos crustáceos e microalgas de que se alimentam.

o sono do flamingo

No site oficial, há uma série de informações sobre as espécies animais que estão representadas no Jardim Zoológico, o seu nome científico, a que ordem e classe pertencem, de onde são originários, quais os seus comportamentos e alimentação e o seu estatuto de acordo com o IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
http://www.zoo.pt/main.aspx