Marcio Mariguela

Psicanálise & Filosofia

Arquivo para Filosofia

«Para quem você escreve?»

Em março de 1932, foi fundada em Paris a Associação dos Escritores e Artistas Revolucionários (A.E.A.R.). Como membro do Partido Comunista Francês (PCF), Georges Politzer escreveu um relatório da assembléia da Associação na qual foi debatido a pergunta remetida pelo Comitê: «Para quem você escreve?» 

Georges Politzer num café em Paris

O relato de Polizter é um documento precioso para cartografar o problema do engajamento artístico e intelectual nas lutas pela revolução socialista (in: A Filosofia e os Mitos, editora Civilização Brasileira, 1978). De que lado estão os escritores e  os artistas? Defendem a causa do proletáriado ou estão servindo aos interesses da burguesia? Parece démodé utilizar a categoria de classe para analisar as relações sociais contemporâneas. Contra esta tendência decadente, é sempre uma lufada de luz resgatar algumas pérolas do bau da história. O relatório de Politzer é uma delas.

A pergunta lançada por Commune, como bem observou o jovem húngaro, subentende as classes como condição fundamental do capitalismo e a luta de classes como agente de transformação social. Por isso, prosseguiu, “sua colocação é um ataque, não contra o escritor a quem é feita, mas contra a burguesia, que não deseja que essa pergunta seja colocada”. Para quem você escreve?

Constatou Politzer: “Há, na A.E.A.R, um certo número dos nossos que estão convencidos da justeza do marxismo e que desejam ser marxistas consequentes”. De igual modo, admitiu que também havia discordância dos membros da A.E.A.R. contra aqueles que faziam, de suas diferenças com o marxismo, “máquinas de guerra contra o marxismo; os que alimentam campanhas antimarxistas, os que ajudam a burguesia a empreender sua cruzada contra o marxismo”. Esses, concluiu, “não são dos nossos; pertencem à burguesia e não tem nada a fazer na A.E.A.R.”

A pré-condição para ingressar na A.E.A.R. era reconhecer a distinção de classe, saber operar a separação e tomar consciência de que lado estava: “os intelectuais honestos, de um lado; e os lacaios da burguesia, do outro lado”. Era preciso declarar-se um “intelectual honesto”, isto é, comprometido com a causa revolucionária. A ferramenta (o martelo) para tal revolução foi construída por Marx e Lênin.

 Considerando o marxismo-leninismo uma ciência, Politzer relatou um processo de inquisição no qual a camarada Edith Thomas estava sendo julgada por não sustentar “o ponto de vista marxista”. Durante o debate, a camarada fez a seguinte intervenção: “escrevo para liquidar meus conflitos psiquicos e não sociais”. Esta posição provocou a ira no sangue húngaro de Politzer.

3x4 de Politzer

Com o mesmo ardor revelado em 1928 no ensaio Crítica dos Fundamentos da Psicologia: a psicologia e a psicanálise (Editora Unimep, 1998 ) para demontrar o carater subversivo da psicanálise de Freud, Politzer acusou a camarada Edith de se render à psicanálise, o último refúgio da burguesia: “ela não deseja que Marx e Engels sirvam de «martelo» – foi assim que ela se exprimiu – mas, no mesmo instante, declarou que escrevia para liquidar os seus conflitos, o que é uma teoria freudiana. E, dessa forma, no instante preciso em que nossa camarada pensava fazer um ato de independência, separando-se dos pensadores proletários que são Marx e Lênin, foi apenas para submeter-se – sem nenhuma intenção, estou certo – ao pensador burguês que é Freud”.

Politzer defendia o seguinte pressuposto: “o fato de escrever constitui um ato que tem, na sociedade, repercussões determinadas. Existe esse fato e existe a consciência dele tomada pelo escritor. Eis aí duas coisas diferentes”. Escrever é um ato social, a consciência desse ato determina o engajamento do escritor. Todos os que escrevem em uma sociedade onde existem classes e, por conseqüencia, para aquele que escreve em uma sociedade capitalista, deverá ter consciência para quem escrevem. “Faça o que fizer, ele não poderá impedir que seu texto tenha uma ação social, e uma ação social que consiste em fortalecer uma e enfraquecer outra das duas classes em luta”.

Concluindo seu relatório, Politzer considerou que a pergunta remetida pelo Partido Comunista aos escritores e artistas demandava uma resposta nos seguintes termos: “A questão é saber como, e na conta de quem, ele toma parte nela (na luta de classes), se ele representa o joguete inconsciente e mais ou menos aperfeiçoado de forças sociais que ignora, ou se representa um fator consciente. «Para quem você escreve?» significa antes de qualquer coisa: você sabe para quem você escreve? Significa em seguida: «as conseqüências sociais de seus textos correspondem às intenções que o animam ao escrever?». E, por esta razão, penso que devemos manter e repetir incansavelmente a pergunta «para quem você escreve?», e devemos inclusive responder no lugar daqueles que, por si próprios, não responderão”

na web:

» tradução em ingles do relatório: http://www.marxists.org/archive/politzer/works/1933/who-for.htm

» dados biográficos de Polizter: http://www.marxists.org/portugues/dicionario/verbetes/p/politzer_georges.htm

» vídeo em que o poeta surrealista George Aragon faz uma homenagem a Politzer: http://www.ina.fr/art-et-culture/litterature/video/I00005323/aragon-sur-politzer.fr.html

» site do Centro Internacional e Estudos da Filosofia Francesa Contemporânea: http://www.ciepfc.fr/spip.php?article192

» blog Batalha Socialista: http://bataillesocialiste.wordpress.com/documents-historiques/projet-dunification-pcsfio-1936/

 

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Foucault, leitor de Bachelard

Gaston Bachelard

A epistemologia de Gaston Bachelard (1884-1962) merece ser estudada em nossos dias. Sua singularidade pode ser reconhecida em dois de seus mais importantes leitores: Georges Canguilhem e Michel Foucault. Em torno deles, formou-se a clássica Escola de Epistemologia Francesa. O conceito de corte epistemológico, muitas vezes empregada por Foucault, é um marco decisivo em suas pesquisas arqueológicas.

Na década de 1940, ao ingressar como estudante de filosofia na Escola Normal Superior (ESN), Foucault ficou siderado com La Philososhie du Non de Bachelard. Leu também La Formation de l’Espirit Scientifique e La Psychanalyse du Feu, ambas publicadas em 1938. Em 1952, a amiga Jacqueline Verdeaux convidou Foucault para uma visita à residência de Bachelard: foi o primeiro encontro do leitor com o autor estimado.

Quando da publicação da tese de doutorado de Foucault, Folie et déraison [ “História da Loucura na Idade Clássica], em 1961, Bachelard escreveu uma carta congratulando o nascimento do livro que, segundo ele,  instaurou um corte epistemológico nos estudos históricos sobre a loucura: “Hoje acabei de ler seu grande livro. Os sociólogos vão muito longe para estudar populações estrangeiras. O senhor lhes demonstra que somos um bando de selvagens. O senhor é um verdadeiro explorador. Anotei seu projeto de ir explorar o século XIX.”

Concluindo a missiva, convidou o jovem filósofo, “explorador arqueológico”, para visitá-lo: “Serei obrigado a deixar a maravilhosa Paris, mas venha me visitar em outubro. Quero felicitá-lo de viva-voz, contar e recontar todas as alegrias que senti ao ler suas páginas, em suma, falar-lhe de minha mais sincera estima.” –  poucos meses depois, o químico-filósofo morreu e o abraço ficou na saudade.

As marcas da leitura que Foucault fez de Bachelard podem ser encontrada desde seu primeiro trabalho de tradução, em 1954,  do livro “Sonho e Existência” de L.Binswanger, na qual escreveu a introdução. No mesmo ano, Foucault publicou seu primeiro livro: Maladie mentale et personnalité. O pequeno livro, encomendado por Louis Althusser, [coordenador de uma coleção destinada aos estudantes de psicologia] é um marco interessante para acompanhar as incidências da leitura que fez de Bachelard e o modo como se apropriou do conceito de corte epistemológico para sustentar a seguinte tese: Freud realizou um corte epistemológico no discurso neurológico/psiquiátrico sobre a loucura, instaurando uma descontinuidade na história da cultura contemporânea.

Gaston Bachelard

Em 1962, depois da publicação da “História da Loucura na Idade Clássica” , o pequeno livro foi reeditado e não só mudou de título, Maladie mentale et psychologie, como também passou por uma revisão completa de seu conteúdo. Pierre Marcherey, no artigo “Nas origens da História da Loucura: uma retificação e seus limites” (in: Recordar Foucault – 1984), comparou passo a passo as duas versões para traçar a arqueologia do pensamento de Foucault sobre a loucura como doença mental apontando os deslocamentos realizados entre a edição de 1954 e a de1962.

Michel Foucault

As diferentes posições de Foucault sobre a psicanálise em geral e sobre Freud emparticular é tema recorrente nos trabalhos dos autores que investigam a obra do filósofo francês. Jacques Derrida, por exemplo, analisou o lugarde Freud na obra A História da Loucura, designando a função dobradiça que Freud ocupou na escrita de Foucault: duplo movimento de articulação, alternância de abertura e fechamento: “movimento alternativo ques sucessivamente abre e fecha, aproxima e afasta, repudia ou aceita, exclui ou inclui, desqualifica ou legitima, domina ou liberta” .

Essa designação de Derrida pode ser aplicada ao conjunto da obra de Foucault. Freud ocupou uma função dobradiça nas pesquisas realizadas em torno da arqueologia do saber, da genealogia do poder e da ética. É como função dobradiça que podemos acompanhar a presença de Freud na escrita de Foucault: uma alternância que abre para uma interlocução profícua ao considerá-lo instaurador de discursividade, inaugurando uma nova hermenêutica na cultura ocidental; e ao mesmo tempo, fecha no que diz respeito àquilo que os pós-freudianos da Associação Psicanalítica Internacional (IPA) fizeram de Freud, sobretudo, transformando a psicanálise numa prática clínica adaptativa à moral vigente.

DISPOSITIVO DE SEXUALIDADE E AS “PULSEIRAS DO SEXO”

No artigo “Por uma educação sexual sem moralismos” publicado na edição de sábado (10/04) do Jornal de Piracicaba, teci alguns comentários sobre as denominadas “pulseiras do sexo”:

Nesta semana, três cidades brasileiras proibiram as garotas de usarem pulseiras plásticas coloridas. Motivo: um jogo perverso e macabro envolvendo tais objetos levou a estupro e morte de adolescentes. As regras desse jogo surgiram na Inglaterra há alguns meses e já atravessou o Atlântico. Denominadas “pulseiras do sexo”, esse inofensivo adorno tornou-se o vilão de uma prática de violência contra garotas que está assombrando os pais e interrogando o silenciamento da sexualidade no interior das escolas. Supostamente, cada cor corresponde a uma atividade de caráter sexual e, quando um garoto arrebenta a pulseira de uma cor específica, a garota deve fazer o que as regras determinam. Caso contrário, ela sofrerá algum tipo de abuso por não cumprir a regra estabelecida.

Para além das manifestações da violência e ocupações criminosas envolvidas nesse jogo, chama atenção o fato de envolver a irrupção da sexualidade num ambiente que prefere calar a questão da sexualidade nas ações educativas. A escola espera que o assunto seja abordado pelos pais. Os pais, que terceirizaram a educação de seus rebentos, esperam que essa função seja exercida pela escola. Desse modo, a deseducação sexual acaba sendo realizada pela mídia e as crianças e adolescentes ficam entregues à própria sorte. Em vez de clamarem à justiça do Estado para que proíbam o uso das simpáticas pulseirinhas coloridas, não seria uma oportunidade de enfrentarmos juntos – pais e educadores – o desafio de uma educação sexual que possa incluir os aspectos de relacionamento e valores éticos?

Sou contrario a uma proposta de educação sexual que seja prisioneira do discurso moral. Aposto na possibilidade de instituir “a ética do cuidado de si como prática da liberdade”. Nesta perspectiva acredito sim que o tema da sexualidade tenha lugar nas práticas educativas escolares. Publiquei, em parceria com a Profa. Regina Maria de Souza (FE-Unicamp), um capítulo, “Sexualidade e Diferenças: por uma filosofia curiosa de si”, no livro Cotidiano Escolar: emergência e invenção (http://www.jacinthaeditores.com.br/) onde sustentamos uma proposta de educação sexual na escola que possa se fundamentar no cuidado de si como princípio ético.

Os graves acontecimentos envolvendo as pulseiras coloridas deve nos fazer interrogar sobre o retorno do recalcado: a sexualidade do cotidiano escolar. No artigo do JP fiz a proposta de retornar aos Três Ensaios da Teoria da Sexualidade para pensarmos as estratégias de intervenção que a escola pode, virtualmente, assumir quando decide abordar o tema da sexualidade. Afirmei ainda ser é necessário resgatar o conceito de pulsão sexual como paradigma para analisar o tema da sexualidade por oposição ao discurso biológico enunciado no exercício educativo escolar, sobretudo nos conteúdos de ciências que se voltam para ensinar a função do aparelho reprodutivo. Isso porque, reduzir o tema da sexualidade apenas a tais ensinamentos é tentar camuflar o dispositivo de sexualidade que incita discursos e práticas cotidianas no espaço escolar.

Deixo abaixo alguns apontamentos para uma reflexão sobre o conceito “dispositivo de sexualidade,” apresentado por Foucault em 1976 por ocasião do lançamento de seu primeiro volume da História da Sexualidade: a vontade de saber (Edições Graal).

Dispositivo[in: Houaiss Eletrônico]

– que prescreve; que ordena; aquilo que dispõe; norma, preceito, artigo

-conjunto de ações planejadas e coordenadas, implantadas por uma administração, visando a algo [por explo: dispositivo de prevenção da criminalidade]

-Termo jurídico: trecho que contém aquilo que se decide numa lei, declaração ou sentença

– Termo militar: formação de uma unidade de combate

O dispositivo esta sempre inscrito em um jogo de poder, estando sempre, no entanto, ligado a uma ou a outra configurações de saber que dele nascem mas que igualmente o condicionam. É isto, o dispositivo: estratégias de relações de força sustentando tipos de saber e sendo sustentadas por eles. (M. Foucault – Microfísica do Poder, p. 246)

Entre cada um de nós e nosso sexo, o Ocidente lançou uma incessante demanda de verdade: saber do prazer, prazer de saber o prazer, prazer-saber. É preciso fazer a história dessa vontade de verdade, dessa petição de saber que há tantos séculos faz brilhar o sexo: história de uma obstinação e de uma tenacidade. (M. Foucault – História da Sexualiade I – a vontade de saber,  p. 77)

Na grande família das tecnologias do sexo, a psicanálise foi a única que se opôs, rigorosamente, aos efeitos políticos e institucionais do sistema perversão-hereditariedade-degenerescência. (M. Foucault – História da Sexualiade I – a vontade de saber, p. 113)

NIETZSCHE, LEITOR DE SCHOPENHAUER

Filólogo por formação, filósofo por paixão, Nietzsche (15/10/1844 -25/08/1900) foi um amante da arte e encontrou na filosofia uma forma de expressão deste relacionamento amoroso com a poesia e a música.
Com a morte do pai e de irmão em 1849, mudou-se com a mãe, duas tias e a avó para Naumburg e em 1858, ganhou uma bolsa de estudos no Colégio Pforta, onde inicia seu afastamento do cristianismo e envolve-se com obras clássicas da filosofia. Com um brilhante domínio do grego e do latim, percorreu os diálogos de Platão e as tragédias gregas, Ésquilo era seu favorito.
Ingressou para a Universidade de Bonn em 1864 e , aconselhado por seu predileto mestre Ritschl, foi estudar filologia. No ano seguinte, transferiu-se para a Universidade de Leipzig. Através da filologia, fes seus estudos sobre Diógenes Laércio (séc.III d.C), Hesíodo (séc.VIII a.C.) e Homero (séc.X a.C.). Destaca-se neste período, a presença marcante de dois nomes da cultura alemã sobre o jovem filólogo: Arthur Schopenhauer e Richard Wagner.
Schopenhauer publicou O mundo como vontade e representação em 1818 e meio século depois começou a ser estudado nos meios acadêmicos. Nietzsche escreveu certa vez que caminhando pelas ruas de Leipzig, seu olhar foi atraído por um título na vitrine de uma livraria. Tomou o exemplar da obra de Schopenhauer nas mãos e um demônio soprou no seu ouvido: "volte para casa com esse livro". O conteúdo da obra exerceu um verdadeiro fascínio sobre Nietzsche: nenhuma Providência, nenhum Deus dirige o universo; todos os fenômenos não passam de aspectos de uma cega vontade de viver; essa vontade de viver absurda, sem razão ou finalidade, se revela como essência do mundo; a dor que dela nasce constitui a única realidade; é na música que a vontade de viver se manifesta de maneira mais intensa. São essas idéias que estarão presentes no primeiro livro de Nietzsche: O Nascimento da Tragédia.

Dois fragmentos extraídos da correspondência de Nietzsche (in: Despojos de uma Tragégia – Lisboa: Relógio d’Água, 1944):

Querido amigo,

(…) espero que, após minha chegada a Leipzig, poderei dedicar-me a redigir o meu trabalho [monografia sobre Theognis], pois já reuni e quase ordenei o material necessário. Confesso, porém que ainda não percebi porque lancei sobre meus ombros esta faina que me afasta de mim mesmo (e de Schopenhauer – o que é a mesma coisa), e cujo resultado me expõe às críticas das gentes, forçando-me, além disso, a afivelar em toda a parte a máscara de uma erudição que não possuo. Sempre perdemos qualquer coisa, ao darmo-nos ao público

Carta ao Barão de Gersdorff, Naumburg, 7 de abril de 1866

Querido amigo,

(…) agora verificaste em ti próprio a razão porque o nosso Schopenhauer achava o sofrimento e a aflição como um destino magnífico – senda para a negação da vontade. Tens experimentado a força purificadora da dor, que apazigua o nosso espírito. Agora, podes verificar por ti mesmo o que há de verdade na doutrina de Schopenhauer. Se o quarto livro da sua obra principal te produz, neste momento, uma impressão de repulsa, turva e desagradável, se não tem a força de te levantar o ânimo e conduzir-te através da violenta dor exterior até àquela disposição espiritual melancólica, mas feliz, análoga à que sente quando ouvimos uma música sublime (mercê da qual sentimos desprender-se de nós a envoltura terrestre) já não quero nada com tal filosofia. Só o homem cheio de dor tem o direito de pronunciar sobre ela [a filosofia de Schopenhauer] a palavra decisiva (….)

Carta ao Barão de Gersdorff, Naumburg, Janeiro de 1867

PORTAL PARA O PENSAMENTO DE MICHEL FOUCAULT

Reproduzo a notícia de recebi do Prof. Silvio Gallo (FE-Unicamp)
Uma boa maneira de divulgar o pensamento transversal de Foucault e revigorar as interlocuções entre sua obra e a filosofia contemporânea.
Que a web seja também espaço de multiplicação de cultura.

Ouverture du nouveau portail:
*www.portail-michel-fo**ucault.org*<http://www.portail-michel-foucault.org/>
L’Association pour le Centre Michel Foucault, le TGE Adonis du CNRS,
l’Institut Interdisciplinaire d’Anthropologie du Contemporain (IIAC) de
l’Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales et l’Institut Mémoires de
l’Edition Contemporaine ont uni leurs efforts pour créer un nouveau portail
web dévolu au philosophe français mort en 1984.

Multilingue (Français, anglais, arabe, mandarin, italien, espagnol), ce
portail offre aux chercheurs et aux lecteurs de l’œuvre de Foucault des
données et des ressources inédites.

Le portail se compose aujourd’hui de deux volets :

Sur le premier, «archives numériques», (*www.michel-foucault-archives.org*),
on trouvera un ensemble important d’archives inédites de M. Foucault
(sonores, photographiques, manuscrites et tapuscrites) ainsi que les
inventaires des principaux fonds disponibles, des données bibliographiques
et une indexation générale des ouvrages publiés.

Sur le second volet, « bibliographie » (*www.michel-foucault-biblio.org*),
est mise à disposition la première banque de données des articles et livres
consacrés à la pensée de Michel Foucault. Interrogeable par le titre de
l’ouvrage de Foucault mobilisé, le pays, la date ou encore la discipline,
cette base qui compte pour le moment les références en langue française
permettra a terme de prendre la mesure de la diversité de la réception
foucaldienne.

Ce portail Michel Foucault compte enfin un annuaire des chercheurs
travaillant sur, avec et à partir de ses recherches, outil indispensable de
cette communauté scientifique internationale.

Contact et information :

Jean-François Bert et Philippe Artières :

centremichelfoucault

merci de diffuser largement…..