Marcio Mariguela

Psicanálise & Filosofia

Antonio Pacheco Ferraz: um piracicabano em Paris

CONVITE – CONVERSA DE BOTECO – 17/OUT/2011 – 20H – LAO BAR BISTRÔ – Rua do Vergueiro, 156 – Centro – Piracicaba

 

“Cheguei em Paris no ano em que Claude Monet morreu. Na época falavam de Picasso, Matisse, Renoir, Cezane. Eu não conhecia nenhum trabalho deles. Eu era um bisonho lá em Paris, um caipira de Piracicaba que estava com o pé numa civilização grande. Não sabia quem era Monet, Manet, Van Gogh.  Para mim o Alípio Dutra era um Deus. De modo que eu era muito bisonho, infantil mesmo. Eu tava sonhando, delirando com aquela cidade luz”.

 

 

auto retrato - pintado em Paris /1928

O SESI/Piracicaba, com apoio da Secretaria Municipal de Ação Cultural, convidou-me para expor um tema que pudesse relacionar arte e vida. De pronto pensei em resgatar a entrevista que realizei com o pintor Antonio Pacheco Ferraz em 1997, na época com 94 anos e pleno de histórias para contar. Durante uma tarde visitei o ateliê o mestre Pacheco e, com um certo tom psicanalítico, fui dando linha para ele narrar sua trajetória como pintor. Naquela ocasião o Brasil recebeu a visita das telas de Claude Monet, pertencente ao acervo do Museu Marmottan de Paris. A exposição das Ninféias de Monet atraiu uma multidão ao Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiroe ao Museu de Arte de São Paulo. 

procissão na Bretanha, 1976

Aproveitando o cenário, decidi convidar o Pacheco para uma exposição com o propósito de demonstrar sua matriz fundadora no impressionismo. Gentilmente aceitou o convite e, desse modo, tornei-me curador da mostra intitulada: “Antonio Pacheco Ferraz: um piracicabano na Bretanha”. Interessava-me as representações que fez da região norte da França: lugar considerado por ele o mais belo que já tinha visto. Revisitar aquela entrevista editada e publicada na Revista Impulso/UNIMEP nº 24 (http://www.unimep.br/phpg/editora/revistaspdf/impulso24.pdf ) permite reinscrever a memória da viagem a Paris em 1926 – momento de efervecência cultural no mundo das artes parisiense com o lançamento do Primeiro Manifesto do Surrealismo.

Homem Nú - 1928 - Medalha de Bronze no Salão de Belas Artes de Paris

Ao chegar em Paris, a técnica impressionista era a estética hegemônica na Academia de Belas Artes onde Pacheco foi estudar pintura. O tempo da revolução das cores imputada pelos impressionistas na pintura moderna já havia se tornado padrão de formação para os jovens pintores. Uma nova rovolução estava  em curso: a aplicação da estética literária surrealista na produção pictórica. Dois espanhóis estavam detonando as regras de formação: Salvador Dalí e Pablo Picasso. Pacheco não ficou imune aos rumores da revolução surrealista. A tela “O sonho do pintor” de 1971 é uma obra testamento. Nela encontra-se um retrato histórico da síntese que ele realizou entre o impressionismo e o surrealismo. Pacheco banhou-se nestas duas nascentes e foi capaz de realizar uma síntese admirável.

 

o sonho do pintor (em vermelho, seu amigo português, Antonio Pelaio)

 “Esse quadro eu começei fazendo uma paisagem e depois transformei numa homenagem à Bretanha. Eu levei um ano para pintar. Nunca consegui expor. Tenho por ele o maior xodó. Varias vezes tentei tirá-lo daqui para expor mais tenho medo de que sofra alguma avaria. Esse quadro é a síntese da minha vida, é minha história”.

na WEB:

 

http://www.saopaulo.sp.gov.br/patrimonioartistico/sis/leartista.php?id=32

CONVITE – DIÁLOGO CINEMÁTICO

PROJETO PSICANÁLISE EM EXTENSÃO  – 15ª SESSÃO DO DIÁLOGO CINEMATICO

Filme: Querelle (Alemanha/França, 1982)

Diretor: Rainer Werner Fassbinder

29/outubro/2011 – 15h – entrada franca

Rua Prudente de Moraes, 1314 – Bairro Alto – Piracicaba – SP

vagas limitadas – inscrição: mmariguela@gmail.com

Mediador:   Maurício José Pinto, graduação em História e  Filosofia pela Universidade Metodista de Piracicaba, membro participante dos grupos de leitura de Freud e Lacan em Piracicaba.

“Em minha opinião, ali não se trata de homicídio e homossexualidade, mas antes de alguém que tenta encontrar sua identidade com todos os meios disponíveis nesta sociedade. Este é propriamente o tema do romance Querelle – pelo menos em minha opinião. Para ser idêntico a si mesmo, Querelle tem que observar tudo o que faz a partir de dois ângulos. Do ângulo apontado pela sociedade como criminoso – portanto oriundo da baixeza – e que não o ajuda em nada, pois ele tem que mistificar a coisa por outro ângulo. Só assim Querelle consegue dar um passo adiante”.    Rainer Werner Fassbinder

Brad Davis deu vida ao Querelle de Genet

Voltar a Querelle através da obra literária de seu autor, Jean Genet, e através da interpretação em película realizada por R.W.Fassbinder pouco antes de morrer, é sempre um desafio: não é uma obra que agrada ao bom senso da moral. Querelle interroga a moral por vincular o ativo ao bem e o passivo ao mal. O bem e o mal são instituídos por Genet como juízo de quantidade. O forte é bom, o fraco é mau.  O forte é livre, o fraco é escravo.

 No ensaio de crítica da obra de Genet (originalmente como introdução às obras completas pela Editora Gallimard), Jean-Paul Sartre pretendeu desvendar o misterioso Genet. Se o destino é determinação externa, influência histórica objetiva ou cadeia causal, seu conceito rechaçaria, de forma lógica, a liberdade. Liberdade é possibilidade de escolha, possibilidade da qual, segundo Sartre, não se pode escapar. Nosso destino é a liberdade: “Somos condenados à liberdade”. Genet, por um ato de escolha, cria-se a si mesmo através de seus personagens: ladrão, adorador do Mal e, por fim, esteta e artista de sua própria experiência existencial.

Sua literatura é permanente celebração do amor homoerótico como estratégia para interrogar a relação entre forças. Querelle é composto por cáften, travestis, adolescentes angelicais, másculos marinheiros, soldados e assaltantes que têm em comum a predileção pelas práticas homoeróticas. Nesse mundo particular, as mulheres são coadjuvantes: senhoras de meia-idade, matronas cafetinas, se comprazem em realizar a fantasia edipiana acolhendo jovens amantes em seu leito. Há uma exceção: a mulher cantante (brilhantemente interpretada por Jeanne Moreau) entoando um lamento: “O homem mata o que ama”. Ela é o laço entre Querelle e seu irmão.

Jean Genet criou um mundo d´deles: “Entre eles, apenas para eles, estabelecia-se um universo (com suas leis e relações secretas, invisíveis) onde a idéia da mulher estava banida.” Trata-se, portanto, de criar a mulher no universo d´eles, definindo o papel passivo e feminino na relação homoerótica. Esse papel, Genet parece resguardar para si mesmo: ao lado dos másculos, violentos e não efeminados, tal como Querelle. Trapaceando com a sorte num lance de dados, Querelle afirma sua liberdade. As posições são definidas pela extensão quantitativa da força: os fracos e dos fortes. Os escravos e os livres.

na WEB:

– homenagem grega ao filme:

http://www.youtube.com/watch?v=rv6o7eRJpDk&feature=related

– um trecho do filme, dublado em itáliano:  

 http://www.youtube.com/watch?v=e_erNCBY55I

– Janne Moreau cantando com ensaio fotografico do filme:

http://www.youtube.com/watch?v=8gWqqF6j-WI&feature=results_video&playnext=1&list=PL658525E62A40AED4

Convite – Diálogo Cinemático – 14ª Sessão

PROJETO PSICANÁLISE EM EXTENSÃO

 14ª SESSÃO DO “DIÁLOGO CINEMÁTICO”

Filme:“Os Homens que não amavam as mulheres”  (Män Som Hatar Kvinnor) – Suécia/Alemanha/Dinamarca – 2009

Direção: Niels Arden Oplev

Mediação: Daniela Q. Pacheco – jornalista e psicanalista,  participante da Escola de Psicanálise de Campinas

17/Setembro/ 2011 – 15h – Entrada Franca – Vagas Limitadas

Rua Prudente de Moraes, 1314 – Bairro Alto – Piracicaba-SP

Inscrições: mmariguela@gmail.com

 

Sinópse:

 “Os Homens que não amavam as mulheres” é a primeira parte da trilogia Millenium dirigida pelo dinamarquês Niels Arden Oplev. Adaptado do best-seller do escritor sueco Stieg Larsson, esse suspense possui uma carga dramática calculada com reviravoltas instigantes.

No entanto, o melhor é sua heroína Lisbeth Salander, uma hacker tatuada e coberta de piercings que, dados os seus conhecimentos em informática, poderia ter feito um download do próprio longa antes mesmo que esse chegasse aos cinemas. Com passado nebuloso, explicado mais ou menos em flashbacks, Lisbeth trabalha como freelance numa empresa de investigação. Quando questionada sobre seu trabalho, responde: ‘tiro cópias e faço café’. A mais pura verdade, embora não faça somente isso. 

A principio contratada para investigar a vida do jornalista Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), editor de uma revista econômica que acaba se ser processado por calúnia, Lisbeth se une a ele depois que este é contratado por um milionário, Henrik Vanger (Sven-Bertil Taube) para investigar o desaparecimento de sua sobrinha, suspeita de ter sido assassinada há 40 anos. Como o corpo nunca foi encontrado o patriarca suspeita dos membros da própria família, que além de gananciosos por dinheiro e poder, possuem um passado nazista. 

Muito bem adaptado para o cinema, o filme não deixa para traz as questões centrais que o autor quis abordar no livro: desigualdade de gênero, racismo e nazismo. O autor, Stieg Larson (1954-2004) foi fundador e editor-chefe da revista sueca Expo, que tem por objetivo denunciar grupos neofascistas e racistas nos países nórdicos (Suécia, Finlândia, Dinamarca, Islândia e Noruega). Especialista na atuação das organizações de extrema direita, Larson é coautor de Extremhögern, livro no qual põe o assunto em evidência. Morreu vítima de um ataque cardíaco, pouco depois de ter entregado os originais dos romances que compõem a trilogia Millenium e assinar um contrato para transformar o primeiro livro em filme. (fonte: Alysson Oliveira, do Cineweb)

Ao trazer para uma cena “familiar” e atual a questão da segregação e da violência, que pode chegar ao assassinato, o autor dos livros, bem como o diretor do filme, propõem a questão de como a sociedade tem, por que não dizer, historicamente, lidado com a presença do estrangeiro (do Outro) como vizinho, e mais, como aquele que não pode ser semelhante, pois goza sozinho (que ousadia!), de uma outra maneira, e além, muito além do inteligível, impedindo cada cidadão do abrigo, da seguridade das fronteiras nacionais ou históricas.

Por outro lado, é possível observar como são também “violentas” as saídas encontradas pelos personagens oprimidos, particularmente por Lisbeth. Fugindo por completo do estereótipo de heroína de contos de fada, ela marca seu corpo, incendeia duplamente e rouba seu opressor, apropriando-se e gozando do que subtraiu. Não há nenhum ideal de justiça.  Mas então, que outra potencialidade ética – não furtar-se ao gozo – há nesse ódio e o que mais ele pode ocasionar?

na WEB:

http://www.youtube.com/watch?v=767LFKCkBhY&feature=results_video&playnext=1&list=PLBCBF9328646C7C4C

http://cinema.uol.com.br/ultnot/reuters/2010/05/13/estreia-os-homens-que-nao-amavam-as-mulheres-e-instigante.jhtm

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,os-homens-que-nao-amavam-as-mulheres-e-instigante,551373,0.htm

Convite – 13ª Sessão do Diálogo Cinemático

Projeto Psicanálise em Extensão CONVIDA para a 13ª Sessão do Diálogo Cinemático

 Filme: Total Eclipse (Eclipse de uma Paixão)

 Direção: Agnieszka Holland (Inglaterra, 1995)

Elenco: Leonardo DiCaprio, David Thewlis, Romaine Bohringer, James Thieree, Emmanuelle Oppo.

 20 / Agosto / 20011 – sábado – 15h

Local: Rua Prudente de Moraes, 1314 – Bairro Alto – Piracicaba/SP – Entrada Franca – Inscrições: mmariguela@gmail.com

Mediador: Márcio Mariguela, psicanalista e professor de Filosofia na Unimep

“Sobre uma estátua de Ganimedes” – (Paul Verlaine)

 Mas como? Nesta estação d´aguas, / Descanso, paz, tranquilidade, / Quem vejo, de frente e de costas? / Meu amiguinho Ganimedes!

Ah, fica conosco, menino, /Sacode um pouco nosso tédio / Com aquele jeitinho bom. / Então não és nosso irmãozinho?

 “Sangre Ruim” – (Arthur Rimbaud)

O tédio não é mais meu amor. O furor, a devassidão, a loucura, dos quais conheço todos os impulsos e calamidade – todo o meu fardo foi arriado. Apreciemos sem vertigem a extensão de minha inocência.  (…) Não sou prisioneiro de minha razão. Disse: Deus. Quero a liberdade na salvação: como obtê-la? Os gostos frívolos deixaram-me. Não tenho mais necessidade de abnegação ou do amor divino. Não lamento o século dos corações sensíveis. Cada um tem sua razão, desprezo e caridade: guardo meu lugar no alto desta angélica escala de bom senso.

 Verlaine e Rimbaud com absinto

Sinopse:

Em 1871, Paul Verlaine recebeu uma carta de Arthur Rimbaud, jovem camponês admirador do poeta. No envelope continha alguns poemas. Respondeu imediatamente:  “Vinde a mim, alma cara”; anexando à carta um bilhete de trem. Rimbaud chegou a Paris para o encontro com as anotações  daquela que seria sua obra prima: Uma Temporada no Inferno.

Verlaine morava com a família Mauté, pais de sua jovem esposa grávida. A presença desconcertante de Rimbaud na casa desiquilibra a frágil relação conjugal e por extensão, o protótipo de uma família burguesa na qual Verlaine foi se abrigar. Desse encontro eclipsado nascerá um poeta no crepúsculo de outro.

A vida do consagrado Verlaine é revirada pelo avesso. Vascilante, se deixa levar pela luminosidade do sol (representada de forma surpreendente por Leonardo de Caprio) e pelo torturante sentimento de culpa. Depois desse encontro, a poesia de Verlaine se transfigurou. A coletânea reunida em Femmes e Hommes, escritos em 1890, demonstra os efeitos, em ato, da potência de Eros, o Deus do enlaçamento.

 Ver: 

http://www.youtube.com/watch?v=_WF6nMTVfbY 

http://www.youtube.com/watch?v=0IaIK9jR9M4

Ler: 

RIMBAUD, A. Uma Temporada no Inferno & Iluminações. Tradução: Lêdo Ivo. Rio de Janeiro: Barléu Edições, 2004.

VERLAINE, P. Poemas Eróticos – Para ser Caluniado. Apresentação, seleção e tradução: Heloisa Jahn. São Paulo: Brasiliense, 1985.

Livros Licenciosos

 

livro editado em Lisboa pela Tinta-da-China – março/2011

O historiador americano Robert Darton realizou inusitada pesquisa: Os best-sellers proibidos na França pré-revolucionária (Cia das Letras, 1998). Na 1ª parte, relacionou a literatura proibida «os livros licenciosos, libertinos e luxuriosos» e o mercado literário.

Na descrição material dos best-sellers afirmou: “nossa excursão pelos caminhos editoriais do século XVIII nos levou a uma conclusão particular: a literatura ilegal constituia mundo à parte, um ramo especial do setor livreiro, delimitado por práticas bem estabelecidas e organizado em torno de uma noção funcional de ´filosófico´”.  Filosófico é a designação comum para os livros dedicados ao cultivo dos prazeres sensíveis: comer, beber, trepar/transar.

Inserindo esta noção funcional no contexto da história dos sistemas de pensamentos, podemos ver bem qual é o fundamento teórico desta literatura proibida: o sensualismo frances e, em especial, a obra O Tratado das Sensações do abade Étienne de Condillac, publicada em 1754.

Analisando o comércio ilegal desta literatura “filosófica”, Darton demonstrou que o gosto pelo proibido se traduziu em livros que circulavam como mercadoria nas atividades comerciais em geral . Utilizando o único arquivo disponível, pertencente a “Société Typographique de Neuchâtel” – editora atacadista localizada na fronteira da França, analisou aspectos curiosos do comércio dos livros licenciosos.

A posição geográfica da editora era fundametal, segundo Darton, para  imprimir os “livros filosóficos” e despachá-los pelos rios Reno e Ródono, abastecendo assim o comércio livreiro das grandes cidades européis. Na lista de clientes da “Société Typographique de Neuchâtel” constam grandes livreiros atacadistas de São Petersburgo a Nápoles, de Buapeste a Dublin. Passando pelos reinos católicos da Espanha e Portugal.

Licencioso adjetiva aquele que “abusa da liberdade, que agride as normas e convenções sociais; desregrado, indisciplinado; que agride a decência; a que falta restrições morais ou legais; que desconsidera as proibições sexuais; marcado pelo desregramento moral”. Como substantivo masculino, licencioso designa “aquele que revela desregramento em seus atos, escritos e palavras; depravado, libertino” (in: Houaiss Eletrônico).

fax símile da edição do século 19

Em Portugal também havia consumidores de livros  licenciosos, libertinos e luxuriosos. Na reprodução acima podemos identificar que um dos clássicos da licenciosidade portuguesa poderia ter sido impresso em Paris. No entanto, como é próprio deste livro-arquivo, O Pauzinho do Matrimônio deixa uma pista que subverte a censura e, ao que tudo indica, foi impresso na cidade do Porto em Portugal.

Ironicamente, o endereço da editora é a chave deste ato subversivo:

69 -Rue de la Pudicité -69

4881

A palavra “pudicité” era utilizada na literatura licenciosa para designar a pudicícia: a qualidade o casto, do que pratica a castidade e defende a pureza. Também define a característica do que é pudico e recatado. O livro define, assim, seu destinatário: os pudicíssimos.

Quanto ao número 69, passo a palavra ao O Pauzinho do Matrimônio. Almanaque perpétuo. Nova edição aumentada com uma substanciosa A arte de gozar e fazer gozar. Várias poesias e descobertas importantes

Sem autoria identificada, este clássico portugues apresenta um Aviso Importante: “Não fica reservado nenhum direito de propriedade literária ou artística do pauzinho. Pode ser pois reproduzido em qualquer parte e muito principalmente no Brasil”.

De publicação Anônima, O Pauzinho adverte o leitor sobre sua pertença: “escola ultra-avançada em questões de propriedade, os editores aconselham às pessoas que puderem apanhar este livro por qualquer meio, compra, achado ou empréstimo (exceptua-se a palmação) que lhe chamem seu para todos os efeitos e não restituam para efeito algum”.

No preâmbulo da substanciosa inclusão, encontra-se uma descrição  que sintetiza o conjunto dos elementos deste livro-arquivo. “Para que este livro se não conserve de todo futil e possa aproveitar à educação, damos aqui alguns preceitos, que importa seguir quando se trata do que o homem tem de mais grato: os prazeres da luxúria”.

Dedicados ao trabalho educativo de formar cidadãos livres para o cultivo dos prazeres luxuriantes, o ensaio “A Arte de Gozar…”  é composto de 8 capítulos: Do beijo e da apalpadela; Da punheta; Da Bimbadela; Da foda; Da chupadela ou bauché; Da lamdedela ou minete; Da enrabadela; Outras formas de esporrar. 

O capítulo 6 se inicia com a seguinte advertência: “Não é mineteiro quem quer: é preciso ter instintos finos e, como em tudo o que toca a luxúria, ser delicado e jeitoso”.

Descrevendo em minúcias os movimentos necessários para a prática cunilíngua, o Almanaque sentencia: “é delicioso para a mulher, e não é raro que o homem só com isto se venha com prazer infinito. Aconselho-te, porém a que não deixes aguar a triste; volta-te de modo que lhe deixes abocar-te o caralho e assim desenharão o nº 69 ou o nº 8, que é o símbolo do infinito, isto é, o símbolo do prazer que dois amantes por tal arte gozam”.

vejam Pedro Mexia, escritor portugues, lendo o capítulo 2 – Da punheta:

 http://www.youtube.com/watch?v=Q0L7jl7qiqQ

 A edição do Pauzinho publicada pela Tinta-da-China de Lisboa inclui as hiláriantes ilustrações de Rafael Bordado Pinheiro, consagrado caricaturista português que trabalhou na imprensa brasileira no final do século XIX. 

O Pauzinho faz parte da  Coleção Livros Licenciosos, onde aparecem também os seguintes títulos:

Entre Lençóis – Episódios para Educação e Recreio de Pessoas Casadoiras, de Candido de Figueiredo, seguido de Proezas de Frade ou Mistérios do Confessionário, de um autor desconhecido.

O Vício em Lisboa – Antigo e Moderno, de Fernando Schwalbach, seguido de Regulamento Policial das Meretrizes e Casas Toleradas da Cidade de Lisboa em 1 de Dezembro de 1865.

«Para quem você escreve?»

Em março de 1932, foi fundada em Paris a Associação dos Escritores e Artistas Revolucionários (A.E.A.R.). Como membro do Partido Comunista Francês (PCF), Georges Politzer escreveu um relatório da assembléia da Associação na qual foi debatido a pergunta remetida pelo Comitê: «Para quem você escreve?» 

Georges Politzer num café em Paris

O relato de Polizter é um documento precioso para cartografar o problema do engajamento artístico e intelectual nas lutas pela revolução socialista (in: A Filosofia e os Mitos, editora Civilização Brasileira, 1978). De que lado estão os escritores e  os artistas? Defendem a causa do proletáriado ou estão servindo aos interesses da burguesia? Parece démodé utilizar a categoria de classe para analisar as relações sociais contemporâneas. Contra esta tendência decadente, é sempre uma lufada de luz resgatar algumas pérolas do bau da história. O relatório de Politzer é uma delas.

A pergunta lançada por Commune, como bem observou o jovem húngaro, subentende as classes como condição fundamental do capitalismo e a luta de classes como agente de transformação social. Por isso, prosseguiu, “sua colocação é um ataque, não contra o escritor a quem é feita, mas contra a burguesia, que não deseja que essa pergunta seja colocada”. Para quem você escreve?

Constatou Politzer: “Há, na A.E.A.R, um certo número dos nossos que estão convencidos da justeza do marxismo e que desejam ser marxistas consequentes”. De igual modo, admitiu que também havia discordância dos membros da A.E.A.R. contra aqueles que faziam, de suas diferenças com o marxismo, “máquinas de guerra contra o marxismo; os que alimentam campanhas antimarxistas, os que ajudam a burguesia a empreender sua cruzada contra o marxismo”. Esses, concluiu, “não são dos nossos; pertencem à burguesia e não tem nada a fazer na A.E.A.R.”

A pré-condição para ingressar na A.E.A.R. era reconhecer a distinção de classe, saber operar a separação e tomar consciência de que lado estava: “os intelectuais honestos, de um lado; e os lacaios da burguesia, do outro lado”. Era preciso declarar-se um “intelectual honesto”, isto é, comprometido com a causa revolucionária. A ferramenta (o martelo) para tal revolução foi construída por Marx e Lênin.

 Considerando o marxismo-leninismo uma ciência, Politzer relatou um processo de inquisição no qual a camarada Edith Thomas estava sendo julgada por não sustentar “o ponto de vista marxista”. Durante o debate, a camarada fez a seguinte intervenção: “escrevo para liquidar meus conflitos psiquicos e não sociais”. Esta posição provocou a ira no sangue húngaro de Politzer.

3x4 de Politzer

Com o mesmo ardor revelado em 1928 no ensaio Crítica dos Fundamentos da Psicologia: a psicologia e a psicanálise (Editora Unimep, 1998 ) para demontrar o carater subversivo da psicanálise de Freud, Politzer acusou a camarada Edith de se render à psicanálise, o último refúgio da burguesia: “ela não deseja que Marx e Engels sirvam de «martelo» – foi assim que ela se exprimiu – mas, no mesmo instante, declarou que escrevia para liquidar os seus conflitos, o que é uma teoria freudiana. E, dessa forma, no instante preciso em que nossa camarada pensava fazer um ato de independência, separando-se dos pensadores proletários que são Marx e Lênin, foi apenas para submeter-se – sem nenhuma intenção, estou certo – ao pensador burguês que é Freud”.

Politzer defendia o seguinte pressuposto: “o fato de escrever constitui um ato que tem, na sociedade, repercussões determinadas. Existe esse fato e existe a consciência dele tomada pelo escritor. Eis aí duas coisas diferentes”. Escrever é um ato social, a consciência desse ato determina o engajamento do escritor. Todos os que escrevem em uma sociedade onde existem classes e, por conseqüencia, para aquele que escreve em uma sociedade capitalista, deverá ter consciência para quem escrevem. “Faça o que fizer, ele não poderá impedir que seu texto tenha uma ação social, e uma ação social que consiste em fortalecer uma e enfraquecer outra das duas classes em luta”.

Concluindo seu relatório, Politzer considerou que a pergunta remetida pelo Partido Comunista aos escritores e artistas demandava uma resposta nos seguintes termos: “A questão é saber como, e na conta de quem, ele toma parte nela (na luta de classes), se ele representa o joguete inconsciente e mais ou menos aperfeiçoado de forças sociais que ignora, ou se representa um fator consciente. «Para quem você escreve?» significa antes de qualquer coisa: você sabe para quem você escreve? Significa em seguida: «as conseqüências sociais de seus textos correspondem às intenções que o animam ao escrever?». E, por esta razão, penso que devemos manter e repetir incansavelmente a pergunta «para quem você escreve?», e devemos inclusive responder no lugar daqueles que, por si próprios, não responderão”

na web:

» tradução em ingles do relatório: http://www.marxists.org/archive/politzer/works/1933/who-for.htm

» dados biográficos de Polizter: http://www.marxists.org/portugues/dicionario/verbetes/p/politzer_georges.htm

» vídeo em que o poeta surrealista George Aragon faz uma homenagem a Politzer: http://www.ina.fr/art-et-culture/litterature/video/I00005323/aragon-sur-politzer.fr.html

» site do Centro Internacional e Estudos da Filosofia Francesa Contemporânea: http://www.ciepfc.fr/spip.php?article192

» blog Batalha Socialista: http://bataillesocialiste.wordpress.com/documents-historiques/projet-dunification-pcsfio-1936/

 

Pessoa no Google

quarto de Pessoa no campo de ourique em Lisboa

13 é um número milagroso para a cultura portuguesa. Em 13 de maio na Cova da Iria, as crianças pastoras viram e ouviram a imagem da Virgem de Fátima invocando a reza do rosário para nos proteger do comunismo ateu e materialista. No 13 de junho o padroeiro Santo Antonio é invocado para o feliz encontro, o casamento. Como numa reedição de Eros, o monge franciscano recebe preces e louvores.

Fernando António Nogueira Pessoa, nascido em Lisboa, freguesia dos Mártires, no prédio n.º 4 do Largo de S. Carlos em 13 de Junho de 1888. O mais expressivo nome da literatura portuguesa (ao lado de Camões), Fernando Pessoa inventou-se muitos para conter uma escrita fluída que cartografou a lingua materna numa miríade de possibilidades poéticas. O Ser e o Sentir enovelaram-se para sempre de modo oblíquo.  A extensão do bau de escrivinhador lisboeta pode ser medida pela homenagem prestada pelo Google no dia de hoje, em que se rememora sseu 123º aniversário:

http://www.google.com.br/#q=Fernando+Pessoa&ct=fernandopessoa11-hp&oi=ddle&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.&fp=1e33de1689560958&biw=1123&bih=468 

casa onde Fernando Pessoa passou seus últimos anos

http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/index.php?id=2233

 

Inaugurada em Novembro de 1993, a Casa Fernando Pessoa foi concebida pela Câmara Municipal de Lisboa como um centro cultural destinado a homenagear Fernando Pessoa e a sua memória na cidade onde viveu e no bairro onde passou os seus últimos quinze anos de vida, Campo de Ourique.

Convite – 12ª Sessão do Diálogo Cinemático

Projeto Psicanálise em Extensão CONVIDA para 12ª Sessão do Diálogo Cinemático

Gêmeas – Brasil, 2000 / Direção: Andrucha Waddington

18/junho/2011 – sábado – 15h

Mediadora: Rosana Pires da Silva – psicanalista, membro optante da Associação Campinense de Psicanálise.

Local: Rua Prudente de Moraes, 1314 – Bairro Alto – Piracicaba -SP

Vagas Limitadas (20) – Entrada Franca – inscrição: mmariguela@gmail.com

Fernanda Torres interpretando as Gêmeas

Sinopse:

O roteiro tem como referência a letra de Nelson Rodrigues, extraída de A Vida Como Ela É... O filme gira, como num carrossel, a imagem das gêmeas Iara e Marilena (magistral interpretação de Fernanda Torres). Idênticas, brincam com os homens passando-se uma pela outra, para o desespero do pai (Francisco Cuoco). Num dado momento, Marilena se apaixona por Osmar (Evandro Mesquita), Iara decide seduzi-lo sem que ninguém o saiba.

Numa captura contemporânea do feminino, o diretor assume a função de leitor. Na letra de Nelson Rodrigues, Osmar é o protagonista de um tema de adultério na década de 1950. O filme, ambientado na década de 1980, pro-voca o campo teórico e prático da psicanálise: a função da fantasia e do espelho na constituição da subjetividade. É na fantasia de Osmar, que se pretende “noivo das duas”, que a trama principal de desenvolve. Iara e Marilena marcadas ao nascer pelo dito familiar: “Não se esperava por duas… no berçário, que estava lotado…foram colocadas num só berço, espremidas”; e regidas pela Lei e-ditada pelo pai: “O que se faz por uma é o que se deixa de fazer por outra e não pode ser”. vivem num jogo de espelho (real e imaginário). Iara-Marilena e Osmar reviverem na fantasia edipiana  uma  tragédia anunciada pelos recursos do cinema (o noir e a música de suspense): sexo e morte, traição e transgressão…o que não se pode tocar.

A confusão entre idênticas, seduz o espectador para apreender a identidade pelas diferenças. Na necessidade de separação revela um outro jogo em cena: a ambivalência de sentimentos das jovens irmãs, que querem, mas não conseguem, pensar-se sem a outra. A loucura, a psicose, a passagem ao ato… temas atuais na cultura e na prática clínica.

Na web:

» trailer: http://www.youtube.com/watch?v=jFTtNmdtJd4

» noticias: http://www.meucinemabrasileiro.com.br/filmes/gemeas/gemeas.asp

Jardim Zoológico de Lisboa

vista aérea do teleférico
 Ao redor deste lago, com organização impecável, situa-se o Jardim Zoológico de Lisboa (Portugal) com uma das melhores coleções de animais de todo o mundo, reunindo nos seus 120 anos de existência, mais de 2000 animais de 360 espécies diferentes, divididos da seguinte forma: 114 Mamíferos;  157 Aves;  56  Répteis; 5 Anfíbios e Artrópodes. Nesta diversidade estonteante de formas e cores, o passeio deve começar pelo suave deslize dos carrinhos teleféricos sobre as copas de centenárias árvores. O expectador terá uma visão do conjunto do Jardim e poderá escolher seu caminhar voyerístico pelas formas mais primitivas de vida animal.

o Jardim com aeronave TAP

Ao contrário das focas, os leões-marinhos têm orelhas e deslocam-se com facilidade em terra, erguendo o corpo e impulsionando-o para a frente com o auxílio das barbatanas anteriores. São animais sociáveis e gregários. Esta espécie é a mais frequentemente encontrada em parques zoológicos, pois é normalmente mais dócil. Vocaliza mais frequentemente que as outras espécies de leões-marinhos.
Programa-se para não perder o show que acorre em duas sessões, uma de manhã outra a tarde. Se desejar um beijo desse bigodudo cheirando a sardinha, sente nas primeiras fileiras. Ele atravessa a platéia distribuindo seu charme e carinho. 
a saudação
O elefante-africano-de-savana é o maior animal terrestre. Incluindo tromba, mede cerca de 6 a 7,5 metros de comprimento  e pode atingir os 7500 kg. As grandes orelhas ajudam abanar para facilitar o arrefecimento corporal. O nariz forma a tromba, muito enrugada, que apresenta dois apêndices digitiformes na extremidade, usada para cheirar, manusear objectos, recolher alimentos e água e ainda para defesa, ataque ou demonstrações de afecto. As presas são os dentes incisivos superiores e crescem durante toda a vida. São usadas para combater, para escavar raízes e para arrancar a casca das árvores. 
São animais gregários, apresentando ligações muito fortes entre si e um comportamento cooperativo. O grupo é conduzido pela fêmea mais velha, a matriarca, que detém os conhecimentos sociais do grupo e das características do meio. Esta tem uma influência decisiva sobre o comportamento dos restantes elementos do grupo. Os machos vivem sozinhos ou em pequenos grupos temporários.

o maior mamífero terrestre

 
 Na categoria altura, a girafa é imbatível, podendo atingir  até 5,5 metros. Nas horas de maior calor preferem ruminar à sombra. Conseguem permanecer longos períodos sem beber,  e quando o fazem ficam extremamente vulneráveis aos ataques dos predadores. Formam pequenos grupos constituídos por um macho e respectivas fêmeas e jovens machos solteiros. Estes grupos podem reunir-se em grupos maiores e não são estáveis a longo prazo, pois há frequentes entradas e saídas de indivíduos. São animais pacíficos e não territoriais, mas existe uma hierarquia no interior dos grupos, que é mantida através de comportamentos intimidatórios.
Giraffa camelopardalis angolensis
O mais novo habitante do Zoo lisboeta é o filhote do Lémore nascido em maio, a primavera das espécies. Na escala evolutiva, os Lémores pertencem à ordem dos primatas. Sua condição de parente distante dos humanos é um atrativo espetacular para observar o tempo que dedicam ào cultivo da beleza de sua pelagem. São gregários e brincalhão. Impossível não lembrar do filme Madagascar: Eu me remexo muito…

o filhote do Lémure-de-cauda-anelada

 Finalizando este ensaio fotográfico, o colorido escandaloso do flamingo rubro, habitante nas ilhas das Caraíbas e nas ilhas Galápagos, nas margens de lagoas salinas, de rios e de estuários.  A plumagem tem tonalidade predominantemente carmim, com as rémiges pretas. O bico curva para baixo e é carmim, excepto na extremidade, que tem cor negra. O pescoço é muito longo e tem cor carmim, tal como as patas. A coloração carmim deve-se aos pigmentos presentes nos crustáceos e microalgas de que se alimentam.

o sono do flamingo

No site oficial, há uma série de informações sobre as espécies animais que estão representadas no Jardim Zoológico, o seu nome científico, a que ordem e classe pertencem, de onde são originários, quais os seus comportamentos e alimentação e o seu estatuto de acordo com o IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
http://www.zoo.pt/main.aspx
 
 

Convite – 11ª Sessão do Diálogo Cinemático

Projeto Psicanálise em Extensão CONVIDA para 11ª Sessão do Diálogo Cinemático

Cisne Negro – (Black Swan) – EUA – 2010  –  Direção: Darren Aronofsky

Mediador: Mauro Mendes Dias –  psicanalista, membro fundador da Escola de Psicanálise de Campinas, autor de  “Moda Divina Decadência: ensaio psicanalítico” (Hacker Editores, 1997).

28/maio/2011  –  15h

Rua Prudente de Moraes, 1413 – Bairro Alto – Piracicaba -SP

Vagas Limitadas (20) – Entrada Franca – inscrição: mmariguela@gmail.com

 Sinopse:

Nina é bailarina de uma companhia de balé de Nova York. Sua vida, como a de todos nessa profissão, é inteiramente consumida pela dança. Ela mora com a mãe, Erica, bailarina aposentada que incentiva a ambição profissional da filha. O diretor artístico da companhia, Thomas Leroy, decide substituir a primeira bailarina, Beth MacIntyre, na apresentação de abertura da temporada, O Lago dos Cisnes, e Nina é sua primeira escolha. Mas surge uma concorrente: a nova bailarina, Lily, que deixa Leroy impressionado. O Lago dos Cisnes requer uma bailarina capaz de interpretar tanto o Cisne Branco com inocência e graça, quanto o Cisne Negro, que representa malícia e sensualidade. Nina se encaixa perfeitamente no papel do Cisne Branco, e Lily é a própria personificação do Cisne Negro.  As duas desenvolvem uma amizade conflituosa, repleta de rivalidade.  Nina começa a entrar em contato com seu lado mais sombrio, sua extimidade e inquietante estranheza.

 na web

trailer oficial:

http://www.youtube.com/watch?v=bJ55AoPL9xI